Ministro da Saúde defende que bets tenham mesmas restrições de publicidade que cigarros

Por JORNAL FOLHA DA MATA

Segundo Alexandre Padilha, crescimento das apostas online exige regras mais rígidas para proteger jovens e combater o vício

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirma que o governo federal passou a tratar o avanço das apostas online como uma questão de saúde pública.

A fala aconteceu na tarde desta sexta-feira (10), durante a inauguração do Cesin – Centro de Ensino, Simulação e Inovação do Incor (Instituto do Coração), do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

O ministro defende regras mais duras para a publicidade das bets, especialmente para proteger crianças e jovens.

“Eu defendo que a gente dê um passo além, que a gente trate com as mesmas regras do cigarro: não tem publicidade, proibido publicidade para criança, a gente reduzir esse acesso, porque é um grave problema de saúde pública hoje”, disse Padilha.

Questionado sobre iniciativas do governo federal para conter o vício nas apostas online, Padilha ressaltou o avanço do governo federal em medidas para restringir o acesso às apostas por grupos vulneráveis, como crianças e adolescentes, além de impedir que beneficiários do Bolsa Família utilizem os recursos do programa para apostar.

“Tem um avanço importante que o governo já construiu junto ao Congresso, que é impedir que criança acesse bets, porque quando o governo anterior liberou bets, liberou geral”, disse.

Alexandre Padilha também relembrou a criação, no ano passado, do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas, uma parceria entre os ministérios da Saúde e da Fazenda.

Segundo o ministro, a iniciativa oferece atendimento para pessoas que percebem sinais de compulsão por jogos. Pelo aplicativo Meu SUS Digital, o usuário pode marcar consultas com psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, em um serviço que conta com parceria do Hospital Sírio-Libanês.

Outra medida apontada por Padilha foi a criação de uma plataforma de autoexclusão.

Nela, a pessoa faz um teste rápido de rastreamento pelo celular e pode bloquear voluntariamente o próprio CPF e a conta digital para impedir o acesso a sites de apostas e também deixar de receber propaganda relacionada ao tema.

“Lançamos isso no final de dezembro e até o final de fevereiro mais de 300 mil brasileiros e brasileiras já entraram na plataforma de autoexclusão, não estão mais jogando, não estão mais recebendo a propaganda”, concluiu.

FONTE: SBT NEWS